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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Avó faz capa de plástico para poder abraçar as netas em Curitiba


Estar longe da família é o que mais tem machucado os corações das pessoas durante a pandemia do novo coronavírus. No bairro Juvevê, em Curitiba, uma vó cansou de sentir dor da saudade de suas netas e resolveu botar em prática uma ideia que viu nas redes sociais. Ela criou uma capa de plástico para poder entrar e abraçar suas netas.
“Foi indescritível. Você não sente o cheiro, mas sente o calor. Eu não aguentava mais a saudade do toque e de ficar perto das minhas netas, precisava disso”, desabafou Eni Maria Lazzari, de 68 anos.
Há 60 dias sem sair de casa, Eni, que é artista plástica, e o marido, já aposentado, que são do grupo de risco, passaram a ser atendidos pelos netos e pelos filhos. “Nem mercado a gente faz mais, alguém da família vai e compra pra gente, mas o que estava me matando era a saudade de abraçar minhas duas netas”.
Ao longo desse período, Eni já tinha se encontrado com as netas outras vezes, mas sempre de longe e sem que houvesse algum tipo de contato físico. “A gente se vê de longe, de máscara, de luvas, mas não podemos nos tocar. Isso faz muita falta“, comentou a vó.
Ideia da capa para abraçar as netas foi retirada das redes sociais
Eni contou que viu, pelo Facebook, a ideia de fazer um tipo de uma capa de plástico para poder abraçar a família. “Falei para o meu marido: vamos comprar um plástico, que eu vou fazer”. De um dia para o outro, a vó passou a noite produzindo a capa.
Com a ajuda do marido, Eni foi trazendo ao seu coração de volta a sensação de que poderia abraçar e ser abraçada. “Peguei o plástico, aproveitei a máquina de costura que eu tenho, usei um tecido para firmar, fiz os quatro braços [tanto para abraçar, como para ser abraçada] e deu certo“.

“Foi uma coisa tão simples, mas que teve um efeito que eu nunca imaginei na vida que sentiria“, definiu a vó.
Eni tem duas netas, a Maria Clara, de 8 anos, e Julia, de 20. A primeira a matar a saudade foi a mais velha. “Sentir de volta o calor da minha neta, da minha filha, foi muito importante”, disse a avó, que espera ansiosamente pelo sábado (16). “Vou ver minha outra neta e minha outra filha. Meu marido também vai abraçar os filhos e os netos dele, com certeza vai ser pura emoção”.

Momento de aprendizado

Eni comentou que a pandemia do novo coronavírus está fazendo com que as pessoas se amem mais. “Nunca imaginei passar por isso que está acontecendo. Acho que nem um ser humano esperou passar por isso. Mas estamos dando mais valor às pequenas coisas, que são tão grandes, como um abraço“.
Segundo a avó, poder abraçar de volta sua neta de oito anos vai ser emocionante. “Nas vezes em que ela veio até o nosso prédio, ela veio para o abraço e doeu muito não poder abraçá-la. Ela também sente isso. E eu, realmente, só queria abraçar as minhas netas e minhas filhas neste momento”.




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