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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Morre o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão


Pioneiro do cinema de horror no Brasil e um dos nomes mais respeitados do gênero no Exterior, o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, morreu nesta quarta-feira (19), em São Paulo. Aos 83 anos, ele estava internado no hospital Sancta Maggiore devido a uma broncopneumonia. Sua morte foi confirmada pela sua filha Liz Marins ao jornal Folha de S. Paulo. 
Mojica era considerado mais do que uma das referências do cinema de terror brasileiro. Era, também, um guerrilheiro da cinematografia, tendo financiado a maioria dos seus filmes com recursos próprios e jamais abandonando seu estilo - farto em sangue e sexo e magro em orçamento.
Estreou em longa-metragem 1958 com A Sina do Aventureiro, e seguiu por trás das câmeras até o lançamento do clássico À Meia-Noite Levarei Sua Alma, de 1964. O filme, hoje um cult do horror mundial, apresentaria as bases do cinema de Mojica e serviria de estreia para sua criação máxima, o impagável Zé do Caixão, ou Coffin Joe, para o público e o mercado internacionais.

Com unhas compridas e vestindo capa e cartola, Zé do Caixão apareceria em mais uma dezena de filmes, sempre interpretado por Mojica e capaz das maiores atrocidades na busca pela companheira que geraria o filho perfeito. O último foi Encarnação do Demônio, de 2008, com um Zé do Caixão já de barbas grisalhas, mas com o mesmo apetite por vísceras e belas mulheres.

Marginal ao extremo, Mojica também se enveredou pelas pornochanchadas (A Virgem e o Machão, de 1974, ou Como Consolar Viúvas, 1976) e pelo pornô explícito (A Quinta Dimensão do Sexo, de 1984, 24 Horas de Sexo Explícito, 1985), contabilizando mais de 50 longas-metragens. Nos anos 1990, foi descoberto por fãs do cinema de terror nos EUA e Europa e passou a ser convidado para festivais independentes - agora sob a alcunha de Coffin Joe. Internacionalizado, virou referência na cultura pop, especialmente entre músicos de rock pesado, como Rob Zombie, Sepultura, The Cramps e até os Ramones - que lhe presentearam com uma jaqueta de couro autografada pelos quatro integrantes.
Depois de virar cult lá fora, passou a fazer pontas em filmes nacionais e produções para a TV. Participou das comédias Ed Mort (1997) e Um Show de Verão (2004) e da infame série As Aventuras de Tiazinha (1999).  Como Zé do Caixão, apresentou programas na TV Bandeirantes, Record e, atualmente, no Canal Brasil, com o talk show O Estranho Mundo de Zé do Caixão - título de um filme de 1968.

Fonte: Folha de São Paulo

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