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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Noroeste é a primeira região a receber novo Programa de Irrigação; A iniciativa abrange os polos de Maringá, Paranavaí, Umuarama e Cianorte, onde predominam as bacias do Ivaí, Piquiri e Pirapó


O governador Carlos Massa Ratinho Junior lançou nesta quinta-feira (12), em Paranavaí, o Programa de Irrigação, que tem como objetivo aumentar a produtividade agrícola e potencializar a produção do Paraná. O programa começa pela região Noroeste do Estado, onde predomina o solo de Arenito Caiuá, numa área de 3 milhões de hectares. É uma região com déficit hídrico, mas com imenso potencial agrícola caso o solo seja corretamente irrigado. A iniciativa abrange os polos de Maringá, Paranavaí, Umuarama e Cianorte, onde predominam as bacias do Ivaí, Piquiri e Pirapó. A previsão é que o incremento de produção atinja até 500% em algumas culturas e facilite o processo de integração lavoura-floresta-pecuária. A iniciativa é da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e foi desenvolvida com o apoio da cooperativa Cocamar. Entre as principais ações haverá medidas para reduzir custos dos equipamentos, linhas de crédito, agilidade para a concessão de licença e outorga para o uso da água dos rios. O governador destacou que o Noroeste tem potencial de incrementar as suas principais culturas, como a cana-de-açúcar, mandioca, laranja, além de pecuária de corte e leite. Além disso, poderá adicionar novas, para atender à crescente demanda por alimentos no mundo. “Se a região precisa de irrigação, nada mais inteligente do que reduzir custos para implantar os sistemas, criar linhas de crédito baratas e usar a expertise da Cocamar para melhorar a produção. Temos um diamante a ser lapidado”, afirmou Ratinho Junior. “Podemos introduzir ainda mais tecnologia de ponta na agricultura e pecuária com organização. Não é racional uma terra com um alqueire e duas cabeças de gado. Se é possível modernizar, nós incentivaremos”, ressaltou. O Brasil e o Paraná ainda estão longe da média mundial em áreas irrigadas. Enquanto no mundo o índice é de 40%, no Brasil está em 7,7% e, no Paraná, em torno de 1,6%, em função também de um bom regime de chuvas. Dados do IBGE apontam que a área cultivada no Paraná é de 9,4 milhões de hectares, mas apenas 155.782 hectares são irrigados. INTEGRAÇÃO – O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, disse que a região já foi um polo produtor de carne e que atualmente precisa incrementar a sua produção. “É preciso fazer esse processo de integração lavoura-floresta-pecuária para produzir grãos, carne e madeira usando o ano todo. E agora introduzimos o componente água. A região provocou o Governo do Estado e respondemos com esse ambiente propício para a irrigação”, destacou. “O estímulo ao uso da irrigação, ao mesmo tempo em que garante maior produtividade, promove o incremento de renda, a geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida do produtor rural”, complementou o secretário. “É uma articulação da sociedade e do Governo para introduzir o uso de água de forma racional em um solo delicado.” Luis Lourenço, presidente do Conselho de Administração da Cocamar, disse que a cooperativa tem a necessidade de ajudar os produtores. “Há uma resistência do pecuarista no modelo lavoura-floresta-pecuária, mas estamos vendo com clareza que o modo tradicional é inviável. Nós vamos auxiliar os produtores, emprestar assistência para fazer bem-feito e para que os investimentos deem certo”, afirmou. PROGRAMA DE IRRIGAÇÃO – O programa está alicerçado em alguns eixos. O primeiro trata da redução de custos, particularmente com equipamentos. Para isso, estão previstos isenção de ICMS e diferimento tributário. Em relação ao crédito, o Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE) e a Fomento Paraná colocarão linhas específicas para os produtores que aderirem ao programa. No caso da Fomento, os juros poderão ser equalizados entre 1% e 3%, o que pode se traduzir em benefício de cerca de 70% para o agricultor familiar. Na questão ambiental, está prevista maior agilidade para a concessão de licença e outorga para o uso da água dos rios. O objetivo é que, sem descumprir as exigências ambientais e de uso racional do solo, propriedades que se enquadrarem dentro de parâmetros estabelecidos pelos órgãos públicos, possam ter processos mais simplificados e rápidos. Motores e bombas utilizados na irrigação exigem carga maior de energia. Por isso, o programa prevê parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel) para reforçar a rede, ampliando o sistema trifásico, que garante mais confiabilidade e segurança. A Copel também trabalha com tabelas de descontos para os participantes do programa, privilegiando sobretudo o uso da irrigação noturna. Ao mesmo tempo em que haverá incentivo à geração distribuída, utilizando-se, entre outras tecnologias, a energia solar e biomassa. Entre os eixos do Programa de Irrigação também estão previstos projetos de tecnologia e inovação. Uma das propostas é a de compartilhamento de dados meteorológicos entre os institutos, particularmente Simepar e Iapar. Eles teriam como prever a ocorrência de chuvas e aplicar os dados às culturas desenvolvidas no campo. Isso possibilita que o produtor receba informações, no celular ou computador, sobre a necessidade ou não de irrigar, e, no caso de precisar, determinar a quantidade de água que deve ser colocada no campo. O programa também pressupõe acompanhamento técnico da Cocamar junto aos agricultores e pecuaristas. Quem ingressar no programa deverá ter projetos técnicos aprovados. CAPACIDADE PRODUTIVA – O secretário Norberto Ortigara destacou, ainda, que esse programa pode ajudar a região a duplicar a produção de carne e multiplicar por dez a produção de grãos. “Nós queremos que seja bem-feito porque o solo é frágil e não podemos brincar. Tem que ter bom projeto, terra coberta, integração lavoura-floresta-pecuária. Com água se ganha em escala para estender a produção por doze meses”, disse. “Nós temos experiências exitosas que demonstram que dá para multiplicar por 10, 15 ou 20 ou mais a receita da mesma área usando essas combinações produtivas com o uso da água”. Segundo estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em áreas irrigadas corretamente se observa acréscimo médio de 62% na produção de soja, entre 100% e 150% em trigo, arroz e tomate, e acima de 150% em milho e algodão. A capacidade produtiva do Noroeste pode alcançar patamares inimagináveis, acredita Luis Lourenço, da Cocamar. Segundo ele, um hectare da pecuária tradicional gera R$ 600,00 brutos por ano de faturamento ao produtor do Noroeste, enquanto o processo casado com irrigação e agricultura pode passar a um faturamento de mais de R$ 20 mil no mesmo espaço. “Faturamento é economia que circula, vai ser melhor para todo mundo, mais emprego no setor comercial e de serviços”, afirmou. Um dos pilares do projeto é a maior agilidade para a concessão de licença e outorga para o uso da água dos rios. Para auxiliar esse processo, o governador Ratinho Junior autorizou a contratação de 151 servidores para o quadro do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), encerrando um hiato de 33 anos sem concurso público. Também serão incorporados 220 novos residentes técnicos para auxiliar a gestão ambiental. O secretário do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Márcio Nunes, disse que o intuito é de dar as orientações com celeridade para que o empreendedor possa adequar seu negócio à legislação ambiental. “O caminho do futuro é crescimento alicerçado em desenvolvimento sustentável”, concluiu. Estiveram presentes no lançamento o secretário de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, João Carlos Ortega; o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli; produtores rurais e representantes da Emater, Iapar e Adapar. Fonte: ParanáInfo.


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