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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Não envenenamos o prato de ninguém. Nem aqui, nem no Japão, analisa Xico Graziano

AGRICULTURA
Resíduos de agrotóxicos são baixos, Japão lidera ranking de uso por hectare. Governo tem aumentado concorrência
Ranking no Uso de Agrotóxicos
Xico Graziano, 65, é engenheiro agrônomo e doutor em Administração. Foi deputado federal pelo PSDB e integrou o governo de São Paulo. É professor de MBA da FGV e sócio-diretor da e-PoliticsGraziano. Matéria - O local e o momento eram oportunos. Estava a ministra Tereza Cristina abrindo a campanha em defesa dos produtos orgânicos, promovida pelo Ministério da Agricultura. Dali, tacou seu desabafo: “Considero um desserviço ao país, uma ação de lesa-pátria a campanha de desinformação contra a qualidade dos nossos alimentos. Nossos concorrentes agradecem.” Novamente, agrotóxicos eram o assunto. O controverso tema é recorrente na mídia nacional. Postagens na rede contra os agrotóxicos vendem o inferno à opinião pública. Detratores do agro reduzem os agricultores a assassinos contumazes. Agridem sem dó a agronomia nacional. O que é fake, e o que é fato, nesse assunto dos agrotóxicos? Vamos analisar três questões: Sobre resíduos de agrotóxicos nos alimentos - A Anvisa realiza no país o monitoramento da qualidade dos alimentos in natura. Um resumo de sua atuação, em vários anos, mostra que, das 12 mil amostras pesquisadas, apenas 3% indicaram resíduos de produtos químicos acima do limite máximo permitido (LMR). Significa que essas amostras (3%), contaminadas acima do LMR, causam danos à saúde? Não necessariamente. Ocorre que a margem de segurança estabelecida situa-se, em geral, 100 vezes abaixo da dose nociva determinada, em laboratórios, para cobaias. Ou seja, os níveis de resíduos detectados são baixíssimos. Por esta razão, jamais alguma autoridade médica recomendou que a população deixasse de ingerir frutas, legumes ou grãos por estarem “contaminados”. Alguns argumentam existir um “efeito cumulativo”, causado pela ingestão sucessiva de vários alimentos, o que potencializaria o dano à saúde humana. Jamais essa hipótese foi cientificamente comprovada. Sobre a utilização nacional de agrotóxicos - Sim, é verdade que o Brasil é o maior consumidor mundial de defensivos agrícolas. Segundo o Ibama, foram utilizadas 539,9 mil toneladas de pesticidas em 2017, quase a metade apenas na lavoura da soja. Quando, porém, se calcula, em valor, o uso de agrotóxicos por hectare cultivado, quem lidera o ranking mundial é o Japão (US$ 455/ha). O Brasil (US$ 111/ha) fica em sétimo lugar. Se o índice considerado for agrotóxico por alimento produzido, o Brasil cai para 13º lugar. Vejam mais detalhes no portal o Poder 360 CLIQUE AQUI.

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