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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

BRDE terá US$ 100 milhões do BID para investir no Sul

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) terá US$ 100 milhões (mais de R$ 370 milhões) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para aplicação em projetos nas áreas de saúde, turismo e mercado de trabalho nos municípios dos três estados do Sul. Os recursos serão investidos em projetos dos municípios e os elaborados em parceria entre os setores público e privado. A carta-consulta elaborada pelo BRDE para captação de recursos foi aprovada pelo governo federal em setembro de 2018. Nesta semana, tiveram início as reuniões entre os técnicos das duas instituições para formatação da proposta de investimento nos três Estados. Gestores dos governos estaduais também participam das reuniões, para que a proposta leve em conta programas e diretrizes dos novos governantes. Nas reuniões, são discutidos critérios de elegibilidade dos financiamentos e formas de identificação das demandas dos municípios. A previsão é que a autorização para contratação dos recursos seja anunciada antes do final de 2019. “O BRDE fez um bom trabalho para ter a captação de recursos aprovada”, disse a especialista em Saúde do BID, Márcia Rocha, em reunião em Curitiba, nesta quarta-feira (16). A reunião na Agência Paraná do BRDE nesta quinta-feira (17) contou com a presença do secretário estadual do Planejamento e Coordenação Geral, Valdemar Bernardo Jorge, e do diretor-geral Mauricio Scandelari. O secretário explicou aos especialistas do BID como será feito o levantamento das demandas e potencialidades dos municípios paranaenses, a partir da divisão do Estado em 24 regiões.
O presidente do BRDE, Orlando Pessuti, destacou a robustez do banco, que passou de um capital social de R$ 85 milhões para R$ 1,2 bilhão em oito anos e os resultados de 2018, que alcançaram R$ 23,6 bilhões em investimentos no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mesmo com a lenta recuperação da economia. “Parte desses bons resultados atribuímos à busca por novas fontes de recursos”, disse. “Precisamos seguir um modelo de composição de investimentos, usando os recursos da maneira mais estratégica possível”, afirmou a especialista do BID Márcia Rocha, lembrando a importância de oferecer também aos municípios assistência técnica e ações de capacitação. “Devemos seguir a lógica do desenvolvimento integrado e regional, adicionando recursos aos planejamentos que já existem”, acrescentou. Também integram a equipe técnica do BID a especialista em Turismo Juliana Bettini, o especialista em Mercado de Trabalho e Previdência Túlio Cravo, e o consultor de Mercado de Trabalho e Previdência Rodrigo Quintana. Os recursos contratados no BID serão aplicados por meio do Programa de Promoção do Desenvolvimento Local da Região Sul do BRDE, o Desenvolve Sul. PARCERIAS – A captação de recursos no BID representa a terceira parceira internacional da história do BRDE, que já contratou 50 milhões de euros na Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e outros 80 milhões de euros no Banco Europeu de Investimentos (BEI). Os recursos contratados na AFD são destinados ao financiamento de projetos relacionados à produção e consumo sustentáveis na Região Sul. Os recursos captados no BEI serão investidos em projetos voltados a energias renováveis, eficiência energética e mobilidade. As parcerias internacionais foram possíveis devido ao compromisso do BRDE com o desenvolvimento sustentável. Hoje, o banco tem 83% de suas operações alinhadas com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU. As parcerias internacionais fazem parte da política de diversificação de fontes de recursos (fundings) adotada pelo BRDE para diminuir a dependência do BNDES e principalmente captar mais recursos. A diversificação reduziu significativamente a dependência de repasses do BNDES. Em 2018, os novos fundings passaram a representar 26,7% do total das contratações do BRDE, ante 6,6% no ano anterior. RESULTADOS – Dos R$ 2,36 bilhões contratados pelo BRDE no ano passado, 32,89% foram investidos em empreendimentos no Paraná, o equivalente a R$ 776, 4 milhões. Dado o perfil econômico do Estado, o agronegócio é o setor com maior representatividade nos financiamentos no Estado em 2018. O resultado geral superou os números de 2017, quando as operações somaram R$ 2,18 bilhões. “Chegamos a esses resultados atingindo a meta para 2018, mesmo com o cenário econômico ainda desfavorável, as limitações de investimentos nos municípios estabelecidas pela legislação eleitoral, a redução nos repasses do BNDES e as alterações nas taxas de juros, com a substituição da TJLP pela TLP”, avalia o presidente do BRDE, Orlando Pessuti.

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