PARA CONTATOS ADICIONE O EMAIL: studiowj@hotmail.com OU (43) 9 9626-2009

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Mãe morre em hospital sem atendimento e filho registra o descaso

Irene tinha diabetes e morreu no Hospital Getúlio Vargas, na Zona Norte do Rio. Hospital abriu sindicância.
A matéria é do portal G1 da Rede Globo e a primeira reportagem desta quarta-feira (1º) é sobre o atendimento dispensado a uma cidadã na rede pública de saúde no Rio de Janeiro. O filho dela, desesperado pra conseguir socorro, ligou a câmera do celular e registrou tudo. O afago nas costas de Irene marca o início de uma triste sequência. 54 anos, mãe de sete filhos. A mulher, diabética, se contorce em dores e espera. Na parede, a palavra “Acolhimento” não faz sentido. O filho toma uma atitude desesperada contra o descaso. Filho da paciente: Cadê o responsável aí? Funcionário: Pois não, pode falar. É o quê? Filho da paciente: É que minha mãe está torcendo de dor ali em cima, ali. Queria saber se dá para socorrer ela ali. Funcionário: Não, o médico já está ali em cima. Filho da paciente: Não está, não. Que eu estava lá já. Na sala do Hospital Getúlio Vargas, na Zona Norte do Rio, ninguém reage ao ser questionado pelo filho de Irene. Filho da paciente: Médico, cara? Ninguém vai atender, não, cara? A senhora que é a médica aqui? Desse setor aqui? Aqui, ó, a médica está aqui, ó, no celular. E a pessoa lá quase morrendo. O que está acontecendo, cara? Funcionária: É porque tem que fazer a ficha. Filho da paciente: A paciente já fez, está lá quase morrendo na cadeira lá, cara! Médica: Eu aguardo o paciente chegar, a ficha aqui para ser atendido. Filho da paciente: Aguarda a ficha chegar? Médica: Tem que ter para poder escrever. Filho da paciente: Olha ali na cadeira ali, cara. A mulher quase morrendo, a minha mãe ali, cara. Funcionária: Eu estou aqui, meu senhor. Filho da paciente: Está desde ontem com o rosto todo inchado, que apareceu um negócio lá, ninguém sabe o que é. Aí o médico está aqui no zap zap. Médica: Eu não estou no zap zap. Eu estou lendo artigo sobre doença. Filho da paciente: Sei, está bom, artigo sobre doença. Médica: E você tem que esperar ser chamado. A gente precisa da ficha. Filho da paciente: Então está bom. Está aqui, ó. Uma à toa e a outra está lá trabalhando. Uma médica de plantão avaliou que o caso não era grave. “Aí ela falou: aqui só atende caso grave. Eu falei: o que é caso grave para vocês? Eles falaram para mim: caso grave aqui é só baleado. Aí eu falei: mas minha mãe não está andando, não está falando. Estava com dificuldade de respirar e até falar. Nem falava nem respirava”, diz Rangel Marques. Rangel recebeu a orientação de levar a mãe para a Unidade de Pronto Atendimento, mas dona Irene piorou. Ficou desorientada e desidratada, segundo o laudo. Teve uma parada cardiorrespiratória. Às 22h15 uma ambulância levou Irene de volta ao Getúlio Vargas, mas ela não resistiu. O hospital afastou do atendimento os profissionais envolvidos e abriu uma sindicância para investigar. A Secretaria estadual de Saúde informou que vai criar uma comissão de intervenção no hospital para reavaliar todos os protocolos e evitar que episódios como esse se repitam. “O atendimento dela demorou cerca de 38 minutos. Ela foi acolhida, classificada e foi atendida por uma médica. Não foi aquela médica que ali estava. A gente da direção do hospital orienta a todos funcionários que, durante o atendimento, eles não devam usar o aparelho de celular. Mas o que aconteceu durante o atendimento é o que a gente vai esclarecer na finalização da sindicância”, afirma Paulo Ricardo Lopes, diretor técnico do hospital Getúlio Vargas. O Conselho Regional de Medicina também vai apurar se houve omissão de socorro. O atestado de óbito afirma que Irene morreu em função de complicações do diabetes. “O Cremerj já abriu a sindicância e vamos apurar com rapidez. Diabetes é uma doença que pode levar a várias complicações, mas não justifica não ter o atendimento imediato para esses pacientes”, afirmou o presidente do Cremerj, Nelson Nahon. “Eu sinto culpa, eu tentando fazer mais por ela, mas eu não consegui. Briguei, briguei, mas... A mulher dizia ‘vou te prender por estar gravando’. Só falava isso, socorrer que era bom ninguém fez nada”, lamenta Rangel.

Nenhum comentário: